A primeira vez que ouviu “o que você quer ser quando crescer” tenho quase cem por cento de certeza de que não foi prestes a entrar no ensino médio ou prestar o vestibular. Ouvimos isso desde a nossa infância. E comigo, a resposta era clara e sempre a mesma: quero ser estilista.
Sabia desenhar? Tinha algum talento? Possuía alguma inspiração? Exceto as diversas bárbies e o desejo de ter roupas novas para elas, não. Mas dentro de mim, tinha essa certeza. Só que o desejo de amadurecer, crescer e viver uma vida adulta, ainda no auge da nossa adolescência, nos faz esquecer de muitos aspectos da nossa infância.
Ouvi diversas vezes de que moda não daria certo e que não tem como alguém ser bem sucedido a não ser que tenha A chance da vida. Fui deixando esse meu desejo de lado. Afinal, o que uma criança sabe de pagar contas e ser bem sucedida?
Hoje, no auge dos meus vinte e seis anos consigo olhar para a Larissa de apenas cinco, e perceber que aquele desejo, o sonho desengonçado e sem muita pompa era o que fazia seus olhos brilharem.
Como já é notório, não segui a carreira que minha eu criança tinha se apaixonado, ainda, pois de alguma forma, sei que independente do sucesso ou falta dele, isso me fará feliz, me trará uma realização que não será momentânea apenas. São anos tentando me desvencilhar disso, na tentativa de buscar algo mais seguro, normal e sem tantos altos e baixos mas a Larissa, de apenas cinco, já tinha respondido a pergunta que a tempos tento responder racionalmente: “o que vou fazer da minha vida?”
Desprezamos, na maioria das vezes, nossos pequenos e maiores sonhos de criança, por acharmos que a vida é dura demais, ou que talvez seja impossível demais alcançarmos e então é mais fácil se contentar com o que é comum. Só que se seguíssemos, ainda que lentamente, o que queríamos fazer quando éramos crianças, tenho certeza de que seriamos uma geração mais feliz, realizada e não veríamos tantas pessoas frustradas em bons empregos pois só escolheram aquilo pra vida delas pelo conforto e segurança que era prometida.
É diferente quando somos apaixonados por algo. O brilho nos olhos não engana. E se talvez a correria da vida, as pressões externas e as responsabilidades te afastaram desse lugar de satisfação, faz como eu: olha com a sua ótica de 20 e tantos anos para o seu eu criança. Lembra das coisas que você gostava. O que fazia teu coração bater mais forte. A respsota a pergunta que fazia teus olhos brilharem.
Eu descobri a minha resposta, tenho certeza de que vai descobrir por ai também.
E obviamente, nada é um conto de fadas, talvez percorreremos uma jornada longa e cansativa até realizarmos as coisas que queremos, mas terá valido a pena correr em direção a elas. Disso, tenho certeza.
Uma vez li:
“Quando te perderes, encontra-te nas coisas que você gosta.”
É sobre isso. E a infância é um lugar seguro para percorrermos essas coisas. Então reveja álbuns antigos, converse com a sua família, descubra ou relembre as coisas que você gostava que muito provavelmente já tenha se esquecido com as dinâmicas da vida adulta.
Se essa reflexão fez sentido pra ti, comente seus pensamentos, vou adorar compartilharmos experiências nos comentários. Espero que tenham gostado.
Com carinho,
Larissa Bueno.