Tenho relutado a escrever já faz um tempo. Com tantos afazeres, informações e preocupações da vida, parte de mim acreditava que tinha perdido o jeito ou ainda não era o momento ideal para me dedicar, mais uma vez, a este hobby.
Não, não parei de escrever cem por cento, só deixei de compartilhar isso com as pessoas, e diminuí o fluxo de escrita a mão do lado de cá também, desde que um túnel do carpo resolveu que seria meu firme companheiro. Mas me peguei essa semana cheia de vontade de me comunicar através daquilo que mais gosto de fazer: colocar muitas palavras em uma tela em branco e ver o que isso vai resultar no final. Ideias começaram a borbulhar na minha mente ao ponto de praticamente me empurrar para a frente do computador, e estar aqui as 11:07 de uma manhã de segunda-feira, ouvindo um disco de vinil da Lauren Daigle, teclando com a mesma empolgação de quando comecei lá em 2019, o meu blog.
Este texto é mais um desabafo, uma forma de esvaziar um pouquinho a minha mente acelerada, na tentativa de voltar a ser constante mais uma vez por aqui. Então não estou colocando nenhuma pressão em mim para que isto aqui se resulte em alguma coisa realmente útil.
E sendo ainda mais sincera, toda essa evolução e excesso de informações aqui na internet onde a cada instante surge uma trend nova, uma nova ferramenta e um jeito de se comunicar, tem me travado de uma forma que nunca imaginei. Tenho a sensação de que parei em algum lugar no meio do caminho e não consigo me agarrar a essas evoluções como outras pessoas estão fazendo. Talvez eu seja feita da moda antiga mesmo. Sinto falta das cartas escritas a mão, dos cartões postais, dos álbuns de fotos na gaveta do rack da sala cheios de plásticos rasgados mas que contavam mais histórias do que as que contamos nos stories de uma certa rede.
Me perguntei: o que tem de errado comigo?
Sou uma blogueira que quase não posta e prefere mil vezes deixar muitos registros fora das redes, muito por ciúme de compartilhar, mas outra parte por não saber se essa vida combina comigo. E na verdade já sei a resposta.
Entretanto aqui mora um conflito. Quero ser reconhecida por aquilo que faço, como por exemplo pelos livros que escrevo, mas não estou disposta a viver postando tudo a todo momento para fazer as pessoas gostarem de mim e se identificarem comigo. Estagnação. Essa é a palavra que vem a minha mente. Porque se não faço como todos, fico estagnada no mesmo lugar. E me questiono: tem valido a pena viver assim?
Por isso, de vez em quando eu me escondo. Na tentativa de organizar meus pensamentos, rever minhas intenções e perceber se existe mais ambição do que paixão por aquilo que faço. No final, acho que só existe paixão mesmo, e isso pra mim é suficiente, mesmo que poucas pessoas sejam alcançadas.
Como disse no início deste post, um texto sem nenhum propósito além de desabafar. Não sei se terão lido até aqui. Talvez esteja falando sozinha mais uma vez. Mas de uma coisa eu tenho certeza: não quero deixar de fazer as coisas que eu amo só porque não tenho público ou estatísticas que me “forcem” a fazer isso.
Quero continuar, mesmo que devagar, mesmo que sem sentido, a plantar sementes que eu sei que florescerão cedo ou mais tarde. Mesmo que só eu veja.
Com carinho,
Larissa Bueno.